O podcast de hoje, vem a toda muita energia, variando de ritmo toda hora, comecamos um com ótimo instrumental, seguimos por música francesa, argentina, inglesa....enfim....para bons ouvidos, é um ótimo refresco...não deixe de baixar!!!
Divirtam-se!!!!!!
MEU MUNDO
As coisas acontecem por acaso mesmo. Estava eu, na minha oitava série. Cabelinho Noel Gallanger, jeito esquisito, ouvindo muito Clash, Rita Lee, Raimundos, Oasis, vendo muita MTV e descobrindo muita coisa legal.
Um cofre era um lugar menos seguro que a minha cabeça. Tudo que entrava lá ficava, e ninguém tinha a senha. Prestava atenção no mundo ao redor, mas não sabia a porcaria da fórmula de Báskara. Dourados era um lugar muito diferente do meu quarto. Na porta de entrada, você olhava para cima, e tinha um adesivo, escrito em Inglês: IN MY WORLD YOU DON’T EXIST. Agressivo, não? NO MEU MUNDO, VOCE NÃO EXISTE. Estranho, eu?
Tinha poucos amigos, era o Loser não só da classe, como do colégio. Não tava nem aí! Tempos mais tarde, me confessaram que se sentiam atraídas pelo meu jeito esquisito. O tempo passou, eu não virei nem serial killer, nem indie, mas consegui reprovar a oitava série em 1997. Meu pai ficou furioso, minha mãe não. Era incrível, eu não estava nem aí...No primeiro fim de semana que isto aconteceu, eu fui para a fazenda com minha família, passar o fim de ano com os parentes do meu pai. Tios, tias, primos e primas de pelo menos 2 graus. Meu pai tentava me “humilhar” falando de boca cheia para meus parentes que eu tinha reprovado, que eu não dava a mínima para o dinheiro dele...enfim....Eu, como sempre...nem aí. Sempre odiei finais de ano. Eram todos a mesma coisa, íamos para a fazenda, meus parentes discutiam sobre dinheiro e lavoura. Eu via meus primos, falávamos sobre o que aconteceu durante todo o ano. Eu não me importava. As visitas que eu tinha para a fazenda me causavam tédio.
Mas existe sim, uma destas visitas que eu não me arrependi de ter feito. Me lembro com muito carinho da vez que eu saí de Dourados e fui almoçar em compahia aos meus familiares. Iríamos só para isto. Eu cheguei na cozinha, a caseira logo me disse que era meu dia de sorte. “Sua prima está no quarto com outras 4 amigas”. Na hora, eu não dei muita importância, queria almoçar, estava faminto, me recordo.
Era meio dia, e começamos a almoçar. Olhei bem na cara de todas elas. Não gostei de nenhuma. Pareciam com as garotas do colégio que viviam a encher o meu saco. Comi e fui pra sala assistir televisão. Fui o primeiro a sair da mesa. Já estava com a cara fechada de estar lá na fazenda, o tempo tinha que acelerar de alguma forma.
A segunda pessoa a sair da mesa, era o oposto de mim. Ela já tratou de se apresentar, de falar do que gosta e o que não gosta. Fiquei em dúvida. Não sabia se ela era louca, ou se eu era boa pinta, entendem? Mas confesso, desde o começo eu me senti ligado a ela. Até lhe dei o meu boné favorito. Logo vieram as outras, todas me davam atenção. Não me lembro o nome de nenhuma. Mesmo depois de presenciar todas escrevendo os seus nomes no pente de madeira da minha prima. Nos divertimos tanto, que pela primeira vez eu pedi pra ficar por lá. Andamos de cavalo, fomos pescar, e por incrível que pareca, eu achei aquilo divertido!
No caminho de volta, meu tio ficou de me deixar em Dourados. Todos estavam a bordo. Eu me senti vivo quando a garota deitou sua cabeça no meu ombro. Meu coração nunca tinha batido tão forte na minha vida. Eu nunca tinha sentido aquilo. Não, amigos, eu não estava apaixonado, alias, eu sentia muito carinho pela garota que ficou com o meu boné, mas o fato é que pela primeira vez, alguém tinha gostado de mim e se transportado para o meu mundo. Trazendo com ela novidades.